Desenha-me uma marca? Pequeno Guia para tentar descomplicar o complicado.

Olá, sou Profissional de Criação em Comunicação, Propaganda e Marketing. Me chamam Diretora de Arte nas agências e de Designer também. Eu me auto-intitulo Desenhista. Até sair do mercado formal onde trabalhei por nove anos criando comunicação, minha parte nesse trabalho criativo muuuito grosseiramente falando e simplificando as coisas era o de desenhar mesmo. Mas desenhar lindo, exclusivo, pertinente, atendendo o conjunto imenso de especificações técnicas e alinhado com as informações sobre as necessidades do cliente para aquele material que vinha junto com o Atendimento e seu Briefing. Havia uma estrutura gigante de pessoas na agência, que trabalhava e acampava as mil questões sobre planejamento antes da etapa do “desenho” em si tomar forma no meu desktop.

Atualmente resolvi freelar, ou seja, trabalhar sozinha e aqui, na mesma proporção que a liberdade dessa modalidade de trabalho me proporciona uma série de vantagens, sinto que crescem absurdamente as minhas responsabilidades sobre o que me proponho a entregar ao cliente que me contrata.

Por isso, publico um “Pequeno Guia tentando descomplicar o complicado” que indicarei leitura a todo futuro cliente antes que eu passe um orçamento de Criação. Ao ver o volume de informação aí de baixo, você pode pensar, “mas nossa, é só um logotipo para meu negócio pequenininho… quanta coisa para ler”. Só que nos dias de hoje, mesmo que a coisa nasça para nomear casebre, se alcança a aldeia inteira em segundos, sem querer. Mesmo que você pense e planeje pequeno, a vitrine virtual da internet (aquele postzinho que você publica no seu perfil do Facebook, comemorando a novidade do negócio próprio finalmente concretizado, por exemplo) expõe você, esse seu negócio, sua ideia e as possibilidades dela para o mundo de uma forma incontrolável.  E se a ideia é realmente ir longe, é imprescindível pensar sobre tudo que vou te contar antes.  Se você não se informar e se proteger, pode perder muito, muito mesmo nesse negócio.


“- Quero fazer um logotipo para meu produto/ serviço/ negócio. E então, o que tem para me contar? O que me espera?”

Provavelmente, se você está iniciando uma ideia que precise de um logotipo, você tem rascunhado aí um Plano de Negócios. Vamos direto para a parte Produto/Promoção dos 4P’s analisados em Marketing, na área de Plano de Marketing. Oooooou, no caso de você estar aplicando o Modelo Canvas Modelagem de Negócios, para a parte Design-Marca/Status no campo Proposta de Valor.

Planejamentos em andamento paralelo aí, me diga:

“- Você já escolheu o nome da sua coisa – produto, serviço, negócio?
– Ué, não é só contratar alguém para desenhar o logotipo?”


– Você tem um excelente nome definido aí?

Antes de desenhar o tal Logotipo – que para os teóricos é somente a representação gráfica do nome da coisa, sem exatamente agregar o símbolo. Mas que para a maioria, se trata sim de nome desenhando da coisa + símbolo desenhado da coisa – é preciso ter o NOME da coisa.

Hoje existe uma etapa com nome bonito para designar esse trabalho, chamada Naming. O Tal do Naming é uma área do tal do Branding* que tem como tarefa nomear marcas de empresas, produtos, serviços e eventos (e o que mais vier). O nome precisa transmitir o conceito dessa marca, traduzir sua essência, posicionamento e valores. Na agência, eu via redator atravessar semana inteira procurando nome em todas as fontes de inspiração e informação possíveis. Ia nome, voltava nome, nada funcionava, nada dava registro, nada conseguir emplacar. É um trabalho que envolve pesquisa e dedicação para trazer à luz um balde de nomes possíveis e extrair ao menos um que realmente atenda ao que se precisa, em todos os aspectos – pertinência, aplicabilidade, criatividade, registros.

Veja alguns aspectos a considerar antes de você nomear sua coisa:

* É fácil de pronunciar?
* É fácil de escrever?
* Não é usado por nenhuma outra empresa, especialmente concorrentes?
* É curto?
* Fácil de lembrar?
* Não tem duplo sentido ou sentido negativo, mesmo em outras culturas?
* É amplo o bastante para sobreviver além da categoria ou da marca-mãe?
* Ele consegue comunicar a proposta de valor único da marca?

E eu adicionaria ainda as seguintes questões (alguém sugere mais alguma?):

* É realmente pertinente ao que precisa descrever?
* É “criativo” demais ou excessivamente lugar-comum? Repense ao se enquadrar em um dos extremos.
* Chegou a dar uma “googlada” no nome ontem à noite? O que saiu nos resultados?

Você pode definir isso sozinho, ou contratar alguém para essa etapa.

No link, se quiser se aventurar sozinho, para ajudar, segue um material extenso, mas bem interessante sobre o assunto: http://pt.slideshare.net/Gusmachado/naming-como-processo-do-branding
*Branding – “(…) Branding pode ser definido como o ato de administrar a imagem/marca (BRAND) de uma empresa. Ele também pode ser considerado como o trabalho de construção e gerenciamento de uma marca junto ao mercado.” http://pt.wikipedia.org/wiki/Branding


– O nome escolhido está disponível para registro no INPI – Instituto Nacional de Propriedade Industrial? Você tem noção da importância e necessidade desse passo e dos custos associados?

Antes de se animar muito ao encontrar o que julga ser O NOME, não se esqueça de consultar se a marca/nome já não está registrada. No site do INPI – http://www.inpi.gov.br/ você encontra mais informações. Aqui uma consulta pode ser feita rapidamente online. https://gru.inpi.gov.br/pPI/servlet/LoginController?action=Login&BasePesquisa=Marcas

Mas o processo todo não é simples. Existem duas maneiras de pedir o registro de marcas e patentes:
1 – Você mesmo solicita o registro da sua marca ou patente diretamente ao INPI.
2 –  Você contrata uma empresa com profissionais especializados para realizar todo o processo.

Hoje, eu, mesmo com toda minha bagagem na área não arriscaria fazer um registro próprio sozinha. Pra mim, seria o risco de eu assumir conserto de cano estourado sem chamar encanador e amargar o risco de ver a casa inteira arruinada debaixo d`água na volta de um feriado prolongado. Acho prudente buscar um suporte especializado para mais esclarecimentos, junto a um escritório de Marcas e Patentes em que você confie. Busque um junto a conhecidos.

Entenda parte do caminho a percorrer

1- Verificar se a marca já foi registrada e se é possível registrar a sua marca:  o escritório em que você buscar um orçamento conseguirá fazer isso fácil e gratuitamente. A questão aqui é ver se você entrará com um processo de registro normal ou se terá alguns entraves.

2- Determinar em que classes de atividade econômica o registro será feito: há diferentes classes para registro, divididas entre produtos e  serviços. A análise aqui deve ser MUITO bem feita, pois é comum a necessidade de registro em mais de uma classe, dependendo do que sua empresa faz, e quanto mais ampla a área de abrangência, mais os custos podem subir.

3- Registro como marca mista ou marca nominativa: marca mista é aquela que protege nome (fonema/grafia), tipo de letra, cores e símbolo; a marca nominativa é apenas o nome (fonema).

4 – Quanto tempo demora: depois de feito o pedido, o processo leva cerca de 24 meses.

5 – Marca registrada, e agora: você recebe um certificado do governo atestando a exclusividade da sua marca.

6 – Quando preciso renovar: a cada 10 anos.

Sobre custos, há muitas variáveis, inclusive com possibilidade de descontos para certas categorias de requerentes (cite isso ao seu escritório contratado, que pode “esquecer” desse detalhe), mas tudo começa a partir de pelo menos uns R$ 1.000,00.


– Como estão os registros desse nome na web e redes? Tem endereço online disponível para registro nos vários canais?

Esse talvez seja um dos passos mais difíceis hoje em dia. O ideal seria poder registrar o domínio com o nome da empresa sem adições ou improvisações, diretamente com .com.br ou .com. Extensões diferentes como, “.info” , “.edu”, dificultam que você seja encontrado, mas as vezes serão necessárias justamente por já haver o registro anterior.

Há vários sites que oferecem resultados sobre domínios disponíveis ou não, dois deles:
http://registro.br/ – aqui você pode consultar domínios .com.br
http://www.registrodedominios.net.br/dominios.html – consulta sobre várias extensões

Quando eu iniciei uma ideia de negócio próprio chamado CoisasSódeMãe em domínio .com, também fiz a compra do domínio .com.br, por segurança e redirecionei os acessos para o .com. Lhe indico fazer o mesmo. Uma pura coincidência num mundo com 6 bilhões de habitantes, ou alguém mal intencionado mesmo podem se tornar um grande entrave ou dor de cabeça para você e seu negócio no mundinho virtual.

Investimento: a partir de R$30,00 por ano.


“- Mas eu conheço um monte de gente que não fez registro de nada…
– Sim, eu também. Esse texto é para que você entenda as implicações e assuma os riscos com consciência.”


– Então, finalmente, podemos fazer o logotipo?

DesignBooksFeito esse caminho, aí entra meu papel como a desenhista do seu logotipo. Saiba que estudei muito para me propor a fazer isso para você. Quando desenvolvo trabalhos de comunicação para Marca, além do intuito de traduzir graficamente o que o objeto/produto/serviço significa em essência, busco atingir plenamente a percepção do público para a mensagem desejada, estabelecida em nível consciente e inconsciente. Um logotipo não é apenas um desenho bonitinho. Um logotipo é como uma assinatura: pessoal, única, intransferível. Não há, ou não deveria haver nada igual que possa gerar qualquer dúvida sobre quem a assina. Um processo que exige do criativo grande capacidade de síntese, empatia e percepção apuradas, que vão se construindo e solidificando cada vez mais a cada trabalho desenvolvido e leituras de mundo praticadas. Uma bagagem ampliada por parte de quem desenha traz ao trabalho significados maiores, que enriquecem e atribuem ao resultado final a excelência: comunicar atingindo todos os objetivos desejados!

Para se chegar a esse nível de exclusividade na elaboração desse símbolo é preciso conhecimento, pesquisa, incubação, elaboração, envolvimento e muita conversa entre desenhador e cliente. Há a necessidade de tempo, afinação e confiança entre as partes. Por isso tudo, vale muito, e deve ser feito com muita propriedade e cuidado. Se essas etapas são estabelecidas e cumpridas, o resultado final só tende a ser perfeito.

Atrelado ao desenvolvimento do Logotipo em si, é preciso trabalhar também a Identidade Visual da marca e papelaria. Assim, define-se um conjunto de símbolos e formas próprias, criadas para acompanhar o logotipo em diferentes bases, trará complementariedade ao projeto de uma forma sólida e ampla.
Aqui você pode ver um trabalho meu de Redesenho de Marca, onde é perceptível o quanto esse trabalho ampliado é importante: http://www.calameo.com/read/0025829239b44ceb62e2a?authid=3oBTkPtUYtPQ

Não sou profissional de redação, embora goste de escrever. Mas para essa área aqui, não desenvolvo textos. Os textos a serem utilizados nas peças devem vir prontos, de preferência desenvolvidos por um profissional de redação.  Se o cliente quiser, posso sugerir um redator que poderá fazer esse trabalho, agregado valor separadamente ao orçamento pedido.

Gostaria aqui, de falar ainda sobre outras questões e valores extras a serem considerados pelo clientes fora do orçamento de criação, que poderão ser somados posteriormente ainda ao investimento a ser feito:

Tipos (as letras):

Um elemento importante é a tipologia escolhida para compor logotipo e material gráfico do cliente. Um conjunto de fontes são caracteres que compõem um desenho único do alfabeto e símbolos gráficos necessários para escrita. Esse material tem autoria e valores de concessão de utilização próprias, alheias ao orçamento apresentado. Esse direito de utilização de uso da fonte deve ser adquirido pelo cliente mediante pagamento.

Fotos:

Quanto à utilização de imagens, também para fins de impressão e divulgação, os direitos de uso devem ser adquiridos pelo cliente mediante pagamento.

Ilustras:

Ilustrações de outros desenhistas também devem ter os direitos de uso adquiridos pelo cliente mediante pagamento.

Nos três casos, sabe-se que há bancos de dados contendo fontes, fotos ou ilustrações distribuídas gratuitamente. Mas, grande parte delas, justamente por serem grátis, não possui qualidade para se adequar ao projeto desenvolvido. 

– Serviu para alguma coisa tudo isso aí, gente?

O objetivo desse post é esclarecer ao cliente aspectos que são importantes na contratação de um serviço de criação para comunicação, mas que geralmente não são muito enfatizados. Se há algo que ficou confuso, escreva me contando para eu poder melhorar esse “Guia”. Sei que ficou extenso, mas busquei apontar boa parte das questões que muitas vezes não são bem esclarecidas e podem gerar grandes problemas tanto para o cliente quanto para o próprio designer.
Se você é colega de comunicação e acha que algo pode ser acrescentado ou alterado, me avise. Agradeço a colaboração.

Se chegou até aqui, muito obrigada! Grata!


– A Juliana

Sou formada em Artes, fiz especialização em Arte e Criatividade e MBA em Marketing (FUNDACE/USP). Lecionei por três anos no SENAC Ribeirão Preto cursos voltados a editoração eletrônica, ilustração, imagem digital e moda. Atuei por nove anos como diretora de arte em propaganda, incluindo um estágio internacional de 5 semanas realizado em uma agência canadense em 2008. Alguns dos meus trabalhos na área de comunicação podem ser vistos aqui.


– Fontes de info para esse post

Há muito material relevante disponível online e offline sobre tudo que foi dito aqui. Para saber mais, há muitasprocure publicações direcionadas ou faça uma busca no Google sobre o assunto.

Essa postagem tem como fontes de informação e partes inteiras retiradas dos seguintes sites:
http://www.saiadolugar.com.br/dia-a-dia-do-empreendedor/legislacao/como-registrar-marca-no-inpi-um-guia-rapido/

http://www.pequenoguru.com.br/2011/10/criando-o-nome-de-marca-perfeito/

http://webinsider.com.br/2007/09/13/20-duvidas-frequentes-sobre-o-registro-de-marcas/

http://www.comoregistrarumamarca.com.br/

e da seguinte publicação:
STRUNCK, Gilberto L. Como Criar Ident idades Visuais para Marcas de Sucesso. 1.ed. Rio de Janeiro: Rio Books, 2001.

Muito obrigada!

Projeto show para desenhadora aqui voltar ao mercado criativo, oba!!!

Tchau Chupeta! Trabalho novo na área, lindamente e literalmente ganhando vida amanhã, 25 de abril! Celebrando feliz aqui a volta à labuta criativa.

Quando eu assumo um trabalho, mergulho fundo e fico ligada a milhão até que tudo se conclua. Há dois meses trabalhando a todo vapor criativo com a Karina Falsarella, tem gente achando que sou uma amiga, tia, colega, irmã, filha e vizinha desnaturada. Juro que não queria ser assim. A vida exige equilíbrio, mas não sou equilibrada, sou artista, e isso muda muito a forma como eu lido com as coisas da vida. Desculpa gente! Masssss, quando o resultado final se faz, é show!!! Me nutre. E eu, aos quase 40, fico feliz e ansiosa que nem criança, sem dormir direito, com frio  na barriga. E hoje é um desses dias porque amanha estréia bonito demais de viver esse trabalho novo. Eu, sisuda em meus pretos, brancos e cinzas, faço leve e colorido agora, e estou feliz!

Bom, como sabemos, não consigo ser concisa, so, sorry again. Tem mais texto aí para baixo para contar essa história :).

Em 2013 me surgiu de presente um projeto que desenvolvi para um grupo muito especial de mulheres empoderadas de Campinas: redesenhar marca e comunicação do Grupo Vínculo (clique e veja aqui), que realiza um trabalho fantástico a favor de um maternar consciente. Foi na época minha contribuição para “causa”, com a qual me identifico e acredito ser uma das chaves pra um mundo melhor. A vida que começa na base com um conceber, gestar, nascer, cuidar, nutrir melhor e mais consciente tem todas as probabilidades de se tornar mais tudo: mais vida. Através do Grupo, conheci a Karina, odontopediatra, doula, apaixonada pela maternidade e família. Fiquei fora do mercado de comunicação praticamente desde que a Jú nasceu, tendo feito somente esse “ensaio” com o material criado para o Grupo. E, como tudo de bom realizado estabelece conexão, no início desse ano, quando estava me preparando para retomar o como diretora de arte, novamente outro presente aparece: Juliana, queria que você desenvolvesse a carinha de um outro projeto, topa?!

Karina me entregou a responsabilidade de desenvolver um trabalho onde coloquei a mão na massa para fazer o que de melhor essa nova fase da minha vida me proporcionou: a capacidade de falar direto e bem com mães, pais, responsáveis e suas crianças através de meus desenhos e ilustrações, meus projetos de comunicação e arte. Nasceu logotipo, personagens (estréia como ilustradora!!!), a programação visual de um material rico, colorido e encantador, com a missão de ajudar a Karina a dar força para pais e responsáveis a tornar brincadeira gostosa um momento muitas vezes tenso e espinhoso: a hora da criança deixar a chupeta. Esse material ganha o mundo nessa semana, onde na Saraiva Campinas do Shopping Iguatemi acontece a primeira palestra do ano com a proposta visual nova para o Tchau Chupeta sendo apresentada. Trabalhar com a Karina, fundadora/responsável pelo projeto é motivante: cheia de energia, uma fonte de ideias que não pára e uma capacidade incrível de fazer as coisas acontecerem, de verdade. Orgulhosa de tomar parte de algo que tem o toque tão dedicado de uma profissional como ela. Quando o cliente está apaixonado pelo que precisa comunicar, o trabalho do criativo de quem tem que traduzir esse entusiasmo e paixão fica muito mais fácil e gratificante, e o resultado, claro, se faz intenso na mesma proporção.

digatchauchupetaEntão, se tem criança aí precisando de estímulo pra largar chupeta e uma mãe sem saber como agir, se puder, bora lá dar uma passada na Saraiva pra conhecer a proposta da Karina, feita com a colaboração de um monte de gente boa, como eu! Fica o convite. E se não der nesse mês, vai ter Palestra todo último sábado do mês no mesmo horário e local. Anote na agenda.

Na próxima semana volto com notícias de como foi tudo de bom que está sendo tão carinhosamente preparado para esse dia e mais detalhes sobre o processo criativo!  Muito animada e ansiosa aqui para começar a ver meu trabalho de desenhadora ajudar a criançada a dizer Tchau Chupeta com propriedade e alegria :). Oba!

Um pouco de olhagentemimsoulegal e mimimi

Na maioria do tempo a gente se questiona se essa história de escrever blogs e ficar falando das próprias experiências não seria uma grande perda de tempo e energia, e pior ainda, se não coloca nossa própria segurança, quando abrimos muitas vezes questões tão pessoais e ficamos talvez em risco, num mundo tão doido e com tanta gente ruim.

Nessa de dividir experiência, antes da atual fase “hard mammy”, onde só ando falando mesmo de coisas de mãe, eu falei de viagem de intercâmbio e estágio internacional em outro blog (http://julianacassab.com/Blog/Blogger.aspx).
Muitas pessoas entraram em contato desde 2008, quando vivi a experiência, perguntando coisas, e dentro das minha possibilidades, eu sempre procurava ajudar.

Teve uma moça, publicitária como eu, que morava em Araraquara, ali pertinho de mim em Ribeirão ainda. Além de nos falar por e-mail, também falamos via Skype no momento em que ela estava planejando fazer a mesma viagem que fiz, e lidando com as mesmas dúvidas e sonhos que eu tinha qdo fui.
Meses atrás, recebi uma msg escrita via Skype dela contando que estava lá!
E recebi mais uma dias atrás, colada abaixo. E fiquei muito feliz, certa de que vale a pena sim tentar dividir coisas boas vividas. 🙂
E que vale a pena sonhar!

“Oii Juliana….td bem?? Axa, nao se preocupe…eu imagino que deve estar na correria. Eu ainda estou em Toronto sim, sobrevivi ao inverno, que é mtooo frio digase de passagem hahahah….Então, consegui um trabalho voluntário em design gráfico. Vai ter um desfile de moda aqui em Agosto, chama African Fashion Week Toronto, e eu estou fazendo o material gráfico para eles….legal né?! Qria te agradecer, pois antes de eu vim pra cá (aquela fase que dá medo de largar tdo e vim, sabe..rs) o seu site falando de toronto e da sua experiência em propaganda aqui me motivaram bastante a vir para cá e acreditar =)
Obrigada…beijoss!!!”

 

Aos colegas publicitários e a quem mais interessar

Depois que a Ju nasceu tive tempo para rever muitas coisas em minha vida, e a forma como vivi a profissão de publicitária, onde me formei atuando, é uma das questões revistas. Escrevi esse texto há alguns meses e algumas pessoas já leram. E hoje, por vários motivos, deu vontade de falar com mais gente. Vontade de, com minha mea culpa, tentar alertar outros que possam estar fazendo como fiz. Para que corram, que mudem agora, antes que a vida lhes passe uma rasteira maluca e não lhes dê tempo de tentar fazer diferente, de fazer melhor, mais leve, mais feliz. Fico aliviada que esse tempo para mim ainda é recuperável. Que uma maior consciência, mesmo que tardia, tenha aflorado.

Bjujus a todos! E muito obrigada pela atenção.

“Sabe aqueles dias em que a gente não tem feito outra coisa se não pensar na vida? Ou sei lá, pensa na vida porque não anda tendo muitas outras coisas pra pensar?

Com todos que trabalharam comigo, por curtos ou longos espaços de tempo, eu gostaria de compartilhar algumas coisas que ando pensando.

O convívio das pessoas no espaço de trabalho de uma agência de propaganda é muito, muito intenso. Os sentimentos de realização profissional nessa área nascem de processos nos quais mergulhamos muito fundo, nos envolvemos em um longo caminho e com muitos profissionais para finalmente sentirmos o alívio do trabalho bem cumprido ao ver a peça veiculada e funcionando ao que se propõe ao cliente. São valores intangíveis que vendemos, são idéias, soluções que nascem de trabalho intelectual suado, seja de pesquisa, seja de cálculo, seja de criação, seja de acompanhamento de execução. Não é produto, troca, toma-lá-dá-cá. É muita criatividade, transpiração, comunicação, pertinência, relevância, estética, comemoração, frustração, aprovação, refação, prazos apertados, correções, acertos, erros, palpites, nossa! Quanta coisa entra nessa relação. E atrás dessa relação de trabalho, existe a relação pessoal estabelecida e vivida, que de acordo com temperamento, postura, bagagem de vida, crenças e sonhos de cada um e como esse um utiliza isso no trato com os colegas de trabalho, pode facilitar ou fazer tudo ser mais difícil do que é.

Demorei muito para entender isso, e hoje, gostaria de ter aberto antes meus ouvidos, mente e coração para algumas coisas, que teriam feito minha vida muito mais leve, fácil, feliz, produtiva e tranqüila na área profissional da propaganda. Coisas que teriam feito meu convívio com muitos de vocês colegas, muito, mas muito melhor.

Gostaria de ter entendido antes que na área criativa existe respiro, tempo, a necessidade do branco. O espaço criativo precisa de respiro, se não corre o risco de não ser compreendido, de sair cheio de ruídos, de ferir os olhos, de cansar, de doer. Não é linha de produção ininterrupta, não é sanduíche ruim feito de carne e pão congelados.

Gostaria de ter entendido antes que a sexta-feira é feita pra encerrar a semana. Trabalho bem feito, fechamento das contas, encerramento dos ciclos, limpeza das áreas virtuais e reais de trabalho para a nova semana que se iniciará na segunda começar arejada, limpa, leve. Sexta é para terminar muito direitinho os ciclos iniciados, e não pegar o briefing do próximo job da lousinha as 4:30 da tarde, para já “ir adiantando” as coisas. A sexta é para ir almoçar com os colegas, para ir para casa na hora certa, pra começar as 6:30 da tarde a descansar as idéias, pra curtir o happy your, pra celebrar a amizade, que torna a vida mais fácil de se levar.

Gostaria de ter entendido antes que ritmo é algo pessoal, intransferível, individual e que graças ao papai do céu não somos máquinas prontas a serem startadas a um simples toque de dedos.

Gostaria de ter entendido antes que o respeito incondicional ao que o outro julga importante e ao que outro adota como forma de conduzir seus caminhos é algo essencial ao bom convívio, mesmo que você discorde dele. Cabe a mim, respeitar, conviver, aceitar, não julgar, não criticar, não condenar, não ser tão rígida em minhas atitudes e opiniões. Gostaria de ter sido mais flexível em minhas posturas e não cobrar tanto, o tempo todo, seja de mim mesma, seja dos que me rodeavam.

Gostaria de ter entendido que nossos humores, rumores, amores e desamores internos podem se fazer externos sim, mas com cuidado, em baixo tom, respeitando profundamente o espaço olheio, o outro, o pequeno universo pulsante ao redor. Explosões são coisas de vulcões, que rompem limites e interferem nos espaços alheios, destruindo, bagunçando, desconcentrando, desconcertando. Longos silêncios também provocam as vezes os mesmos estragos que os vulcões. Gostaria de ter tido mais calma, mais tranqüilidade em lidar e reagir frente ao que o mundo ao meu redor me trazia.

Gostaria de ter entendido antes que dá pra ser leve sem ser fútil, que dá pra ser sério sem ser sisudo, que dá pra falar besteira sem ser bobo, que dá pra relaxar sem ser preguiçoso, que dá pra ser um bom profissional sem ser máquina de produzir, principalmente numa área tão delicada como a criativa.

Criatividade é algo fluido, leve, gostoso, bom de se viver, de se materializar. Não é pesado, difícil, sofrido. É um privilégio ser capaz de viver de idéias, de conseguir fazer delas meio de vida. Aos colegas diretores de arte, minha admiração por apesar de toda a carga exigida que se carregue, que vcs continuem firmes aí, e de bem com a vida, mesmo com toda a transpiração que isso exige. Diretor de arte garoto-enxaqueca só conheci um, eu mesma. Quando eu crescer quero ser como vocês.

Colegas todos, não vou ficar revisando e relendo esse texto, se não vou protelar, guarda-lo numa pasta escondida no computador e não vou ter coragem de postar. Ah, e além disso, Juju acabou de acordar lá em cima no berço.

Muitas saudades dessa loucura toda que é a vida na agência, muitas saudades de vocês e do convívio com vocês. Para mim foi preciso o distanciamento para eu entender algumas coisas. Não resisti e as trago aqui, agora.

Inté logo, espero encontrá-los logo pelas esquinas da vida!

Juliana.”